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2012-03-17

O CREOULA e a Faina Maior

Antigo lugre bacalhoeiro, o CREOULA pescou um total de 22.700 toneladas de bacalhau  nas suas 37 campanhas anuais de 1937 a 1973.
A pesca era efectuada à linha de forma tradicional com recurso aos dóries individuais, e algumas destas embarcações estão ainda hoje presentes a bordo do CREOULA, como se pode apreciar pelas fotografias tiradas a bordo a 29 de Fevereiro último.
Em 1937, quando o navio entrou ao serviço da Parceria Geral de Pescarias, a empresa armadora tentou introduzir uma alteração no tipo de dóries, equipando o navio com dóries para dois pescadores, à francesa, mas a experiência correu tão mal que durante a campanha o navio teve de pedir dóries aos restantes navios da Parceria e voltou-se assim à pesca individual... Cada pescador era "capitão" do seu dóri e venceu o individualismo...



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2011-09-03

É sempre assim a partida...

É sempre assim a partida do NTM CREOULA: pontualmente larga da base, habitualmente pelas 10H00 depois de receber a bordo os instruendos para mais uma aventura de (re) descoberta do mar, que tanto pode ser de aquém ou além Tejo, navegar por um dia ou mais de uma semana.






Após largar sai da base seguindo pelo canal do Alfeite rumando ao Mar da Palha. A bordo o entusiasmo dos participantes na aventura está em crescendo, com a certeza de mal ter começado a viagem. Ouvem-se dois apitos e o navio começa a guinar para bombordo, o tal lado bom da costa de África visto de bordo das caravelas em viagens de descobertas. A Praça do Comércio fica agora pela popa e dentro de momentos passa-se sob a ponte 25 de Abril ex-Salazar. Visto de terra o CREOULA funde-se lá no meio do Tejo, proa à barra, a perder-se por entre o casario da velha Lisboa de sempre habituada a ver navios. 
Boa viagem CREOULA...
Fotografias tiradas na largada do CREOULA a 4 de Junho de 2011.
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2011-08-09

SANTA MARIA MANUELA e CREOULA no Tejo




Os irmãos CREOULA e SANTA MARIA MANUELA estiveram ambos no porto de Lisboa em simultâneo: o primeiro atracado na Base Naval de Lisboa, a sua "morada" habitual; o SANTA de visita ao Cais do Oriente, de 4 a 7 de Agosto, onde esteve patente ao público e divulgou a actividade de investigação científica, em associação com universidades de Portugal e da Espanha. Pena que não tenha sido possível a presença do CREOULA no cais da EXPO com o seu irmão. Os navios acabaram por largar ambos para o mar em novos cruzeiros com apenas horas de intervalo. Ainda os havemos de ver a navegarem juntos e tudo correndo bem, com o irmão mais novo ARGUS.
As duas primeiras imagens mostram a saída do SANTA MARIA MANUELA pelas 21H00 de 7 de Agosto. As duas seguintes são do CREOULA a largar do Alfeite pelas 10H00 de 8 de Agosto de 2011, com mais um grupo da Universidade Itinerante do Mar.
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2011-06-16

CREOULA na próxima REVISTA DE MARINHA

 próxima edição da REVISTA DE MARINHA vai dedicar a capa e algumas páginas ao NTM CREOULA.
A revista vai publicar um artigo da autoria do actual Comandante do navio, Sr. CFR Nuno Cornélio da Silva, e a capa será feita a partir de uma fotografia original de Luís Miguel Correia.
O CREOULA, que nasceu exactamente no mesmo ano que a Revista de Marinha, volta a ser a estar representado na capa da revista, como aconteceu já por diversas vezes nas últimas décadas.
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2011-05-10

CREOULA HÁ 74 ANOS...

A Segunda-feira, 10 de Maio de 1937, foi dia de festa na Rocha do Conde de Óbidos, mais precisamente nas instalações do estaleiro naval da Administração-Geral do Porto de Lisboa, então concessionado à Companhia União Fabril.
Aproveitando a preia-mar, pouco depois das 16 horas, nesse dia foi lançado ao Tejo o lugre CREOULA, acabado de construir para a Parceria Geral de Pescarias e destinado à pesca do bacalhau. 
Uma depressão na Biscaia condicionou o estado do tempo nessa tarde, num dia com algum vento, instabilidade e chuviscos. Tal não obstou à realização de uma grande festa, pois além do nosso CREOULA procedeu-se ainda ao lançamento do seu gémeo SANTA MARIA MANUELA. 
Um dos privilégios de me dedicar à história dos navios é poder viajar no tempo, pelo que estive lá. Logo pela manhã ultimaram-se os trabalhos decorativos para a cerimónia do lançamento dos navios. Quando pouco depois das 15H30 começaram a chegar ao estaleiro as entidades oficiais convidadas, já lá se encontrava uma grande multidão, com destaque para as centenas de operários do estaleiro.
Uma companhia de Marinha, do Navio-escola SAGRES, com a respectiva banda, prestava a guarda de honra. O Chefe do Estado, General Óscar Fragoso Carmona presidiu ao lançamento do CREOULA, tendo-se registado o cerimonial de uso em tais actos. O navio deslizou suavemente a carreira, levando a bordo engenheiros, contramestres e operários e foi depois rebocado enquanto um hídro-avião da Aviação Naval executava impressionantes evoluções, a banda da SAGRES tocava, as sereias dos navios em porto apitavam e a multidão se manifestava com entusiásticos vivas. O CREOULA entrou no Tejo com a maior felicidade. 
Durante a construção dos dois CREOULAS trabalhou-se no estaleiro dia e noite tendo participado nos trabalhos 540 técnicos e operários. Segundo Alfredo da Silva, responsável máximo da Companhia União Fabril e anfitrião por ocasião do lançamento do CREOULA, "o navio foi construído com uma perfeição de acabamento como não se faz já hoje (em 1937, claro) no estrangeiro, onde se quer principalmente produzir depressa e barato." Passados 74 anos o CREOULA navega orgulhosamente ao largo de Sesimbra, confirmando Alfredo da Silva...
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2011-04-21

LUGRE BACALHOEIRO CREOULA

"By night the fog cleared, showing our consorts in the moonlight, CREOULA and AVIZ looking most handsome under all sail." 
Pequeno excerto do livro THE QUEST OF THE SCHOONER ARGUS, escrito em 1950 por Allan Villiers, que embarcou no ARGUS nesse ano. A fotografia que se presta a ilustrar a frase do escritor australiano, foi reproduzida de uma ampliação encaixilhada que integra a colecção de imagens da Parceria Geral de Pescarias, na seca da Azinheira Velha, no Barreiro...
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2011-04-18

TRÊS IRMÃOS

Diz o ditado que "não há uma sem duas nem duas sem três" e a sabedoria popular aplica-se no meu roteiro fotográfico da semana passada: dia 13 de Abril tive mais uma oportunidade de fotografar em boas condições o NTM CREOULA a sair a barra do Tejo e a navegar na baía de Cascais; no dia seguinte, em Aveiro e na Gafanha da Nazaré foi a vez de registar imagens dos irmão do CREOULA: o ARGUS na doca seca da Navalria e a sair da doca para regressar ao seu posto de atracação na Gafanha da Nazaré, juntamente com o SANTA MARIA MANUELA, em preparativos finais para uma grande viagem ao Canadá a iniciar dia 19 de Abril, quando o navio larga de Aveiro directo a Toronto. 
Aqui fica a partilha de algumas imagens dois três irmãos e o desejo de um dia voltar a ver o ARGUS a navegar, remoçado e bonito como os seus irmãos e mais: ver organizar-se um evento náutico com a participação das três unidades da classe CREOULA.

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2011-04-11

PRIMEIRA SAÍDA DO CREOULA em 2011

O NTM CREOULA largou esta manhã da Base Naval de Lisboa na sua primeira saída para o mar este ano. Trata-se de uma saída até Cascais para adestramento da guarnição e preparação do navio para mais um período de treino de mar, de acordo com a programação aprovada recentemente e divulgada pelo Blog do CREOULA.

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2011-04-07

Planeamento do NTM CREOULA para 2011

Acaba de ser aprovado superiormente o planeamento operacional do Navio de Treino de Mar CREOULA para o ano de 2011, que publicamos, sugerindo que façam pressão sobre a imagem para a ampliar...
Assim, o CREOULA vai participar nas comemorações do Dia da Marinha 2011 em Setúbal, em Maio próximo, vai mais uma vez estar ao serviço da EMAM, desta vez apoiando a estrutura de missão nas Desertas, Madeira, Formigas e Açores. Destaque também para uma viagem ao Mediterrâneo Ocidental em Agosto... Estão ainda previstas diversas viagens na costa portuguesa.
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2011-03-21

Viagens CREOULA 2011

Após alguns meses de recato merecido atracado à Base Naval de Lisboa desde Outubro de 2010, o Navio de Treino de Mar CREOULA prepara-se para novas missões de divulgação e treino de mar, cuja programação aguarda aprovação superior.
Sabe-se que este ano o CREOULA deverá navegar pelo Atlântico e Mediterrâneo numa série de viagens com cientistas, estudantes universitários e outros, e grupos de civis à descoberta deste belo navio e do mar português...
Imagens do CREOULA no Alfeite no passado dia 18 de Março de 2011.

Ainda e sempre o CREOULA


Ainda e sempre o NTM CREOULA em pormenores traduzidos em fotografias de Luís Miguel Correia...
Ancora da sanefa da escada de portaló do CREOULA e rede de protecção da mesma escada, ou prancha, como também se diz no mar e a bordo dos navios...
As expressões relativas ao mar e aos navios na língua portuguesa são de uma riqueza muito grande e interessantíssimas, reafirmando que em termos verbais ainda seremos de facto um país de Marinheiros.

2011-03-19

QUATRO CISNES


A Base Naval de Lisboa apresentava ontem estas imagens surpreendentes de quatro cisnes brancos:

Um de aço com quatro mastros amarelos, armação em lugre e uma história magnífica de verdadeiro ícone do mar português, com mais de 70 anos nos oceanos;

Os outros três fazem parte de um grupo de cisnes que adoptaram recentemente as águas da Base do Alfeite e nesta imagem saudavam o CREOULA, cujo costado se vê com a sua chapa rebitada que se quer eterna...

Fotografias de Luís Miguel Correia - 2011

Mastros amarelos...



Na Base Naval de Lisboa, no Alfeite, o lugre de quatro mastros CREOULA prepara-se para para mais uma época de embarques e viagens pelo Atlântico e Mediterrâneo.

Impecavelmente pintados, os mastros brilham no amarelo tradicional do navio...

Imagens datadas de 18-03-2009.

2011-03-15

CREOULA em dia de boa pesca

Convés do CREOULA num dia de boa pesca durante a campanha de 1948, em águas do Gronelândia.
Fotografia tirada a 28 de Julho de 1948 pelo então Piloto do navio José Fraga e publicada no livro de João Gomes Vieira O HOMEM E O MAR - Os Açoreanos e a Pesca Longínqua nos bancos da Terra Nova e Gronelândia, publicado em 2004.

Os 62 dias do CREOULA...

A ideia de que o CREOULA foi construído em 62 dias tem que se lhe diga e penso que a realidade será um pouco diferente. 
O navio foi encomendado em 11 de Setembro de 1936 ainda à Sociedade de Construções Navais, empresa que deixou de ser concessionária do estaleiro naval da AGPL à Rocha do Conde de Óbidos, a 1 de Janeiro de 1937, quando aquela infraestrutura industrial foi entregue a CUF. As encomendas dos navios COMANDANTE PEDRO RODRIGUES (Para os Pilotos de Lisboa), CREOULA,  e SANTA MARIA MANUELA foram assim herdadas pela CUF. 
A história "oficial" dos 62 dias úteis de construção do  CREOULA tem de ser vista na perspectiva da época enaltecendo as qualidades dos nossos operários, etc..., como forma de aumentar a auto-estima nacional e reconhecer as virtudes do Governo da época e em especial do Chefe. O próprio estaleiro, sob orientação da CUF passou a estar integrado numa organização poderosa com uma boa máquina de propaganda que apresentava todas as realizações do estaleiro com superlativos e alguma exaltação realçando-se a nacionalização do estaleiro e da industria naval,como contraponto aos interesses franceses que dominavam a anterior concessionária. 

Assim as datas associadas à construção do CREOULA são:

11 de Setembro de 1936: contrato de encomenda

3 de Fevereiro de 1937: assentamento da quilha

10 de Maio de 1937: lançamento à água

30 de Junho de 1937: saída de Lisboa para a primeira campanha de pesca.

Os dias que o navio demorou a ser construído devem ser referidos desde a data de encomenda até à data de entrega, que foi Junho de 1937... 
De qualquer das formas, criar o CREOULA e o seu irmão em poucos meses foi um feito a assinalar... Hoje perdemos a capacidade demonstrada em 1937. Uma lancha hidrográfica como a AURIGA, construída no Alfeite, demorou quase 4 anos desde o assentamento da quilha a 17 de Setembro de 1984 até ao lançamento (26-05-1987) e a entrega a 2 de Março de 1988...

2011-03-03

Embuste filmico

Em Janeiro o Blogue do CREOULA divulgou a exibição deste filme documentário que foi transmitido pela RTP 2 na noite de Domingo 23 de Janeiro - noite de eleições presidenciais.
Vi e não goste. 
Não é um filme sobre o CREOULA, nem sobre a pesca do bacalhau, sério e isento, mas uma diatribe cinéfila cujos actores amadores não representam nada do que foi a grande aventura da frota branca nos mares gelados do Atlântico durante o século XX.
O guião está cheio de imprecisões e desonestidades algumas das quais atingem a raia do disparate.
Uma oportunidade perdida que aportou num caudal de homenagem à ignorância e à desmaritimização.
Porque o fenómeno da desmaritimização é além de económico e político, também cultural, e este documentário é a negação da cultura marítima.
Um mau filme vestido de pretensiosismo político-cultural. Só espero que semelhante embuste não tenha sido financiado com os meus impostos, isto é com o meu suor e sangue...
Texto de Luís Miguel Correia - 2011

2011-03-01

CREOULA de regresso à Azinheira...

As referências  ao lugre bacalhoeiro CREOULA na imprensa portuguesa do tempo em que ia à pesca do fiel amigo,  isto é de 1937 a 1973, são muitas vezes reduzidas a uma linha aqui e ali, como acontece com a rubrica dedicada  aos navios entrados em Lisboa e referidos na secção de movimento marítimo em Lisboa nas páginas do velho Jornal do Comércio. Normalmente era assim, apenas uma linha:
BARRA DE LISBOA - Navios entrados e 16 de Setembro de 1956: (...) CREOULA, português, procedente da Gronelândia, com carregamento de bacalhau (...)
A largada tinha sido em Abril logo a seguir à cerimónia da bênção dos navios do bacalhau frente aos Jerónimos, começava-se a pescar nos bancos da Terra Nova, muitas vezes fazia-se escala em St. John's, para abastecer de isco e mantimentos e depois seguia-se para a Gronelândia para acabar de encher o porão e iniciar o regresso a Portugal, habitualmente durante o mês de Setembro. Antes da entrada em Lisboa fazia-se uma escala em Ponta Delgada para desembarcar os pescadores naturais de São Miguel, pois a Parceria Geral de Pescarias fazia questão de dar emprego aos pescadores açoreanos.
Chegado a Lisboa, o CREOULA seguia para a Azinheira, amarrando às bóias em frente à seca da empresa armadora. Procedia-se à descarga do peixe, efectuavam-se beneficiações ao navio e ia-se logo começando a  preparar a campanha do ano seguinte, numa rotina que parecia desafiar os ventos de mudança que se viviam no sector das pescas. Foi assim até 1973, no final de Dezembro desse ano o CREOULA alterou o registo na capitania do porto de Lisboa, de navio da pesca longínqua para o tráfego local "para posterior venda ou abate." A sorte não abandonou o carismático lugre pescador e passados alguns anos de incerteza deu-se a compra ao Estado Português e a sua reconversão para navio de treino de mar, actividade que continua a desenvolver sob os auspícios da Marinha...
Imagem da colecção de L. M. Correia com texto de Luís Miguel Correia - 2011

2011-01-26

CREOULA na pesca do bacalhau

Fotografia muito curiosa do lugre bacalhoeiro CREOULA fotografado em plena faina na sua fase final ao serviço da Parceria Geral de Pescarias, mostrando a popa do navio com alterações significativas face ao aspecto actual, reposto quando da sua transformação na década de 1980, quando se aproximou a traça do navio do desenho original, dentro do possível atendendo à nova função de navio de treino de mar.
Imagem oferecida por Nuno Bartolomeu a quem agradecemos o envio. Autor desconhecido.
Luís Miguel Correia -2011

2011-01-21

CREOULA na Base Naval de Lisboa

O nosso belíssimo CREOULA atracado ao cais na Base Naval de Lisboa com o sol de Janeiro a enaltecer o contraste feliz do antigo bacalhoeiro rodeado de unidades navais diversas: em primeiro plano os submarinos TRIDENTE e BARRACUDA e a lancha-hidrogáfica ANDRÓMEDA de braço dado com a sua gémea AURIGA. Ao fundo a corveta JOÃO COUTINHO. Fotografia de 20 de Janeiro de 2011.
Fotografia de Luís Miguel Correia - Copyright 2011

2011-01-20

CREOULA 18-01-2011

O CREOULA continua atracado no Alfeite, onde está a ser submetido a reparações diversas e operações de manutenção técnica, com vista à nova série de viagens de instrução e de apoio à investigação cientifica a decorrer em 2011.
Fotografias de Luís Miguel Correia - 2011